7 Tipos de Acordes com Cifras Estranhas…

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A internet pode ser uma maravilha para quem quer aprender música. Porém, pode ser também uma confusão caso você não tenha uma boa orientação, o que é a realidade de muita gente. Nos milhares sites de cifras que encontramos por aí, podemos encontrar alguns acordes com cifragem bem estranha, e até mesmo errada!
Isso ocorre devido à vários fatores, como:

  • Mistura no uso do padrão brasileiro com padrões estrangeiros;
  • Uso de sinalizações que podem levar à interpretações ambíguas;
  • Falta de conhecimento dos padrões nacionais e internacionais de cifragem;
  • Falta de conhecimento da teoria musical, principalmente, em Formação de Acordes;

Diante disso, muitas vezes encontramos músicas cifradas de maneiras que só dificultam a execução de quem está lendo, quando nosso objetivo é justamente o de facilitar a leitura e execução.
Vamos abordar aqui os 7 tipos de acordes que mais aparecem cifrados de forma estranha, ou errada.

1. Acordes com Sétima Maior

A cifragem brasileira e correta para esse acorde seria a “7M“. Por exemplo, em dó, seria C7M.
Contudo, é comum encontrarmos “Maj7” e “7+“.
O “Maj7” não está errado, entretanto, essa cifragem é do padrão Norte-Americano, portanto, tenha isso em mente e saiba o contexto correto para utilizá-lo.
Agora, “7+” é uma cifragem muito perigosa, pois pode nos levar à duas interpretações bem ambíguas.
Primeiramente, o “+” é comumente associado à acordes com Quinta Aumentada (#5). Sendo assim o “+” é mais indicado para acordes com Quinta Aumentada, e não com Sétima Maior.
Além disso, o sinal de”+” ao lado do “7” pode sugerir uma Sétima Aumentada, que não é o caso; aqui nossa Sétima é Maior!
Resumindo, se você quiser evitar confusão, pelo menos aqui no Brasil, colocque “7M” quando estiver se referindo à acordes com Sétima Maior; o acerto é garantido!

2. Acordes Aumentados

A cifragem brasileira e correta para esse acorde seria a “(#5)“. Por exemplo, em dó, seria C(#5).
Contudo, é comum encontrarmos o “+” e “aug“. Por exemplo, C+ e Caug.
O “aug” não está errado, entretanto, essa cifragem é do padrão Norte-Americano, portanto, mais uma vez, tenha isso em mente e saiba o contexto correto para utilizá-lo.
O “+” não está errado. Contudo, ele não teria tanto problema caso as pessoas não o confundissem o acorde de 7M, da sessão anterior.
Justamente, por encontrarmos acordes com Sétima Maior cifrados com o “7+”, ao colocarmos um “+” para nos referirmos à acordes com Quinta Aumentada, podemos confundir o leitor e levá-lo a achar que é Sétima Maior (o que também seria errado!).
Que loucura, né?! Eu avisei que a internet pode causar confusão!
Para não ter erro, coloque o acorde seguido de (#5) para os casos de Quinta Aumentada. Vai dar certo!

3. Acordes Menores e Menores Com Sétima

O caso dos acordes menores é mais simples.
No Brasil eles aparecem com um “m” (minúsculo) e isso você provavelmente já sabe. Porém, no padrão dos Estados Unidos eles podem aparecer com um sinal de “” (subtração).
No RealBook, o livro mais clássico de Jazz, os acordes menores aparecem com o sinal de “-“. Por exemplo: “Cm”, na verdade é “C-“.
Quando os Norte-Americanos se referem a acordes Menores com Sétima, eles cifram o acorde seguido de “-7”. Por exemplo, “Cm7”, seria C-7.
Outro fator que devemos saber é: Muitas vezes eles colocam apenas o sinal de “-“, como se fosse um acorde Menor, mas para eles já está implícito a ocorrência da Sétima Menor junto à esse acorde.
Ou seja, um “C-” pode ser a mesma coisa que um “Cm7”!
É interessante você saber isso, pois, muitas vezes irá se deparar com cifras do RealBook. Agora você já sabe com interpretá-las.

4. Acordes com Notas de Tensão Adicionadas (Add)

Você já viu esse tipo de cifra: Cadd9?
Quando temos a palavra “add” quer dizer que devemos adicionar a nona (9) à tríade (F, 3 e 5) do acorde.
Contudo, existem cifras que aparecem assim: C9, ou C7(9).
Nesses casos temos a nona (9) foi adicionada à uma tétrade (F, 3, 5 e 7), gerando uma sonoridade bem diferente dos acordes add9.
Para facilitar, a ideia é simples: Caso o acorde tenha a Sétima você coloca o número “7” e depois o “9” entre parêntesis. Você também tem a opção de não botar o “7”, e utilizar somente o “9”. Está subentendido que é uma tétrade com 7 e com 9.
Caso o acorde não tenha a Sétima você deve enfatizar isso com o “add9”, deixando claro que o acorde é uma tríade, ou seja, sem a 7 e com a 9!

5. Acordes de Linha Interna

Existem alguns acordes que só terão um determinado tipo de cifra caso sejam encontrados em linhas internas.
Linha Interna acontece quando temos uma nota que vai subindo e/ou descendo cromaticamente em uma progressão de acordes, ou em uma sequência do mesmo acorde apenas com as variações dessa nota que sobe e desce.
Existe um tipo de acorde que se você ver por aí ele não estiver em linha interna ele está escrito errado e só vai dificultar a leitura.
É o Acorde do tipo “m6(b6)“. Vou usar um exemplo no tom de Lá Menor para ilustrar. Ele só existe no contexto de uma linha interna em que temos a sequência: Am – Am(b6) – Am6 – Am(b6) – Am.
Repare que temos um movimento da 5 no Am se transformando em b6 no Am(b6), que por sua vez se transforma em 6 no Am6 e depois as notas fazem o movimento contrrário, voltam para b6 e depois para 5.
As notas da linha interna são: 5 – b6 – 6 – b6 e 5.
Caso você veja este tipo de acorde em outro contexto que não seja linha interna, você deve cifrá-lo de outra maneira.

Como cifrar?

Vamos analisar as notas desse acorde: Am(b6)
1 – b3 – 5 – b6
A – C – E – F
Troque a ordem das notas e comece pelo Fá:
b6 – 1 – b3 – 5
F – A – C – E
Esse acorde é na verdade um F7M! Porém, como a nota mais grave dele (o baixo do acorde) está em Lá, temos uma inversão de acorde. Portanto, temos um F7M/A.
Todo acorde m(b6) é, na verdade, um acorde com 7M com baixo na terça maior, a não ser que esteja localizado em linha interna!

6. Power Chord (Power Acorde)

Os “power acordes” são acordes que tem apenas duas notas: a Fundamental e a Quinta. Na verdade ele nem é considerado acorde, pois para termos um acorde precisamos de três notas diferentes.
Toda vez que você ver uma cifra em que aparece o acorde seguido do número “5”, é bem provável que ele esteja se referindo ao power acorde. Por exemplo, “C5” se refere ao power acorde de Dó.

7. Acordes Meio Diminuto

Esses acordes podem vir cifrados de duas maneiras (e ambas estão corretas).
A primeira é a m7(b5). Essa cifragem é bem didática pois nos diz exatamente como montarmos o acorde: O “m” se refere a 3m, o “(b5)” se refere à 5dim e o “7” à sétima menor.
Outra forma de vermos esse acorde é com o símbolo “Ø” ao lado do acorde. Por exemplo, CØ. Essa forma de cifragem também está correta e é bem comum!

Para não Ter Dúvidas na Cifragem

Tudo isso que foi explicado anteriormente fica muito mais fácil se você domina bem o assunto de Formação de Acordes.
Não tem como errar se você tem um bom conhecimento e sabe a formação correta de cada um deles.
A partir de agora, quando você ver algumas dessas cifragens estranhas, desconfie. Possivelmente a pessoa que escreveu cometeu algum equívoco.
Outras formas esquisitas podem aparecer para confundir nossa mente. Caso você veja outra situação, tente inverter a ordem das notas presentes no acorde ou enarmonizar (transformar notas com “#” nas notas com “b” equivalentes) algumas delas, talvez ele faça mais sentido com uma nova forma de visualização.

 

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