Escalas Dominantes: Mixolídia, Mixob9 b13, Mixo b13, Mixo #11

Os acordes Dominantes são extremamente importantes para harmonia e podem ocupar diversas funções em uma determinada música.

Além disso, são acordes que podem receber diversas tensões (diatônicas e não diatônicas) o que nos possibilita usar diversas escalas quando encontramos este tipo de acorde.

Na primeira sessão da nossa página Harmonia 2.0, estudamos as Escalas de Acordes geradas a partir dos Campos Harmônicos Maiores e Menores (Natural, Harmônica e Melódica).

Sendo assim, já vimos diversas Escalas para acordes dominantes. Contudo, iremos dar uma atenção especial para essas escalas nesta segunda sessão.

Também iremos trazer Escalas Novas nos posts seguintes, como as Escalas de Tons Inteiros, Alterada e Dom.dim.

Por enquanto, vamos nos concentrar nas escalas que já vimos na primeira sessão e fazer um resumão para você ter sempre a mão e ganhar tempo na hora de escolher a melhor escala dependendo do contexto que estará inserido.

OBS.: Lembrando que estamos tratando aqui das Escalas de Acorde no contexto da Harmonia, ou seja, do acompanhamento Harmônico. Não estamos focando na improvisação.

Teremos uma sessão dedicada a Escala de Acordes no Contexto da Improvisação.

As Escalas para dominantes que vimos até agora foram:

  • Mixolídia
  • Mixo b9 b13
  • Mixo b13
  • Mixo #11

Escala Mixolídia

Essa escala pode ser encontrada no Grau V7 do Campo Harmônico Maior e também no Grau bVII7 do Campo Harmônico Menor Natural.

Vale observar que, neste segundo caso, o acorde bVII7 não possui função dominante, ele apenas tem a estrutura de um acorde maior com sétima menor, porém, sem função dominante.

De qualquer forma, formamos a Escala Mixolídia Sobre ele.

As notas de Acorde, Notas de Tensão e Notas de Passagem para esta escala são:

Escala Mixolídia

Ela é uma escala comumente utilizada para preparar acordes maiores, de um modo geral:

  • V7 > I
  • V7 > IV
  • V7 > V7
  • Tensões da Escala Mixolídia: 1 – T9 – 3 – P4 – 5 – T13 – b7
  • Acordes Possíveis: V7 – V7(9) – V7(13) – V7(9,13)

Dito isso, não pense que ela não pode ser utilizada para preparar acordes menores. Isso também pode ser feito.

A questão é que ao fazer isso, você provavelmente estará utilizando a opção menos diatônica e irá causar uma sensação de “surpresa”.(existem outras escalas para dominantes com notas mais diatônicas para preparar acordes menores).

Lembre-se também de se atentar para as possíveis tensões que aparecem na cifra e nas notas que a melodia executa.

Se por um acaso a cifra do acorde for, por exemplo, um C7(b9), você já sabe que esse acorde não veio da escala Mixolídia, pois ela tem uma 9 ao invés de b9.

Pensando na segunda situação, uma melodia pode tocar uma b13 sobre um acorde dominante. Mesmo que ele esteja cifrado apenas C7, a melodia forma, junto ao acorde, um C7(b13), sendo C7 na harmonia e a b13 na melodia.

Nesse caso, também já fique sabendo que a escala Mixolídia estará fora, pois ela possui uma 13 ao invés de b13.

Escala Mixo b9 b13

Essa escala pode ser encontrada no Grau V7 Campo Harmônico Menor Harmônico.

As notas de Acorde, Notas de Tensão e Notas de Passagem para esta escala são:

Escalas de Acordes - Mixo b9 b13
  • Tensões da Escala Mixo b9 b13: 1 – Pb2 – b3 – T11 – 5 – Pb6 – b7
  • Acordes Possíveis: V7 – V7(b9) – V7(b13) – V7(b9,b13)

Ela é uma escala comumente utilizada para preparar acordes menores, de um modo geral, especialmente para V7 > IIm7.

O mesmo comentário que fiz sobra a Mixolídia vale para a Mixo b9 b13.

O fato de ela ser boa para acordes menores não exclui a possibilidade dela ser utilizada para preparar acordes maiores.

Você estará apenas utilizando notas menos diatônicas, mas não há nada de errado nisso.

O pensamento que você deve ter é o seguinte: “

“Devo sempre respeitar as notas da melodia principal para não chocar com ela”.

Além disso, outro ponto importante a se considerar é a possibilidade de causar surpresa, ou não.

Se não há um impedimento melódico, você pode usar uma Mixo b9 b13 para preparar acordes Maiores, causando uma surpresa, pois ela é menos esperada nesse contexto.

Escala Mixo b13

Essa escala pode ser encontrada no Grau V7 Campo Harmônico Menor Melódico.

As notas de Acorde, Notas de Tensão e Notas de Passagem para esta escala são:

Escala_de_Acordes_mixob13
  • Tensões da Escala Mixo b13: 1 – T9 – b3 – P4 – 5 – Tb13 – b7
  • Acordes Possíveis: V7 – V7(9,b13) – V7(b13).

Assim como as outras escalas abordadas aqui ela pode ser usada tanto para preparar acordes maiores como para menores, sendo mais diatônica no segundo caso.

O ponto para nos atentarmos aqui é que ela possui uma 9 junto a uma b13.

Por exemplo, se temos uma cifra G7(b13) não podemos definir com absoluta certeza de qual escala este acorde veio.

Pode ser tanto da Mixo b9 b13 quando da Mixo b13 (além de outras que iremos trabalhar mais a frente nesta sessão dos acordes dominantes).

Um fator que pode definir é a melodia.

Ela pode estar executando uma b9. Neste caso fica claro a escala Mixo b9 b13.

Se a melodia estiver na 9, teremos então a escala Mixo b13.

E se a melodia estiver em outra nota, por exemplo na 3 ou tônica??

Aí você pode escolher qualquer uma das duas. Veja qual lhe soa melhor para preparar seu alvo.

Lembre-se também que nos casos em que cifra não possui tensões e a melodia está em uma nota de acorde (o que possibilita explorar diferentes tensões) você deve sempre optar pela opção mais óbvia, a mais esperada, a não ser que seja uma coisa previamente combinada no arranjo com a banda.

O comentário acima, obviamente, se refere à situações em que tocamos com banda. Um caso sem muito ensaio, ou sem arranjos combinados, devemos escolher a opção mais óbvia.

Em casos que você toque sozinho, ou tenha um arranjo combinado, aí sim, pode escolher caminhos mais tortuosos.

Escala Mixo #11

Essa escala pode ser encontrada no Grau IV7 Campo Harmônico Menor Melódico.

Apesar de não ter função dominante, a princípio, esse IV7 pode ser utilizado como dominante Secundário, Estendido ou SubV7.

As notas de Acorde, Notas de Tensão e Notas de Passagem para esta escala são:

Escala_de_Acordes_mixo#11
  • Tensões da Escala Mixo #11: 1 – T9 – b3 – T#11 – 5 – T13 – b7
  • Acordes Possíveis: IV7 – IV7(9) – IV7(#11) – IV7(9,#11) – IV7(9,13) – IV7(#11,13) – IV7(9,#11, 13).

A mixo #11 também pode ser utilizada para Dominantes de um modo geral, porém, existe uma situação em que ela é muito escolhida que é quando temos um SubV7.

Nesses casos ela é, quase sempre, uma boa escolha.

Novamente, isso não a impede de ser utilizadas nos outros contextos, como por exemplo de Dominante Secundário ou Estendido e até mesmo quando o acorde estiver sendo apenas IV7,ou seja, com função subdominante.

E também não pense que a Mixo#11 é a única escala boa para SubV7, existem outras escalas que também se encaixam nesse acorde, como veremos mais a frente.

Moral da História

Galera, vimos aqui as primeiras escalas Dominantes.

São as opções mais diatônicas dentro dos contextos nos quais elas foram geradas, ou seja, a partir dos Campos Harmônicos Maiores e Menores.

Contudo, elas não esgotam as possibilidades nos acordes dominantes.

Esses acordes podem receber diversos tipos de tensão.

Isso faz com que tenhamos muitas possibilidades de escalas para eles, inclusive, escalas com tensões não diatônicas e com sonoridades mais “profundas” ou “complexas” como as escalas simétricas.

É sobre elas que falaremos no post seguinte.

Fiquem ligados e bons estudos!

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Grande Abraço,

Gabriel Miguez.

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